Chega em Santa Catarina procedimento inédito para o tratamento do refluxo

Florianópolis acaba de entrar na lista das cidades brasileiras a contarem com um procedimento inédito, recém trazido ao Brasil, para o tratamento do refluxo gastroesofágico. A Terapia por Estimulação Elétrica do Esfíncter Esofágico Inferior – Endostim, já está presente em centros de tratamento de Porto Alegre, Belo Horizonte e Ponta Grossa, e promete devolver, de forma minimamente invasiva, a qualidade de vida aos pacientes que sofrem com essa doença, presente em cerca de 20% da população, segundo dados da Faculdade de Medicina da USP.

“A técnica consiste na implantação de um dispositivo, similar a um marcapasso cardíaco, na região do esfíncter inferior do esôfago, a fim de corrigir problemas no seu funcionamento. O esfíncter é responsável por impedir que os alimentos e líquidos voltem ao esôfago, sendo que quando este está defeituoso produz a Doença do Refluxo Gastroesofágico – DRGE. Atualmente, esse é o único equipamento que estimula diretamente o esfíncter, de forma mecânica, e já tem quatro anos de acompanhamento, trazendo resultados efetivos e duradouros para quem sofre com o refluxo crônico”, afirma o cirugião do aparelho digestivo, cirurgião da obesidade, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, SOBRACIL, e Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Dr. Jéferson José Diel, que será o responsável pelos procedimentos em Santa Catarina, no Hospital Baía Sul Medical Center.

Ele, que foi um pioneiros no Brasil em cirurgias de Sleeve, ou cirurgia bariátrica, interessou-se pelo procedimento a partir de estudos e congressos , e conta que outro ponto interessante é sua capacidade de ajuste por meio de um programador de telemetria após a cirurgia, caso persista algum sintoma. “Além disso, é o único procedimento que objetiva restaurar a função do esfíncter esofágico sem mudança anatômica. Os trabalhos clínicos sobre o EndoStim demonstram que 90% dos pacientes que fizeram a implantação não tomam mais nenhuma medicação. Atualmente há 550 pacientes tratados no mundo e a expectativa é de realizar cerca de 50 procedimentos ainda esse ano no Brasil”, completa Diel.

Três pacientes brasileiros passaram pela técnica, de forma bastante satisfatória, e em Florianópolis já há um candidato. “Esse paciente sofre de refluxo grave após cirurgia bariátrica, ocorrida há dois anos, e busca restaurar a qualidade de vida por meio do procedimento, o qual é a única alternativa cirúgica para esses casos”, explica o médico.

Outro paciente, que passou pela terapia há dois anos, é o brasileiro, que reside na Argentina, Sebastian Garcia. “No meu caso, passada a operação já não sentia mais nada. Tenho uma vida normal novamente, consigo comer e beber qualquer coisa e não sinto mais aquela acidez que tanto me atrapalhava. Consigo dormir bem à noite e não tomo mais nenhum medicamento. Foi uma mudança geral”, conta.

Os tratamentos com EndoStim, estão sendo levados a outras regiões do Brasil por meio de treinamentos aqui e no exterior. Os procedimentos só são aprovados mediante análise de exames específicos que comprovem o refluxo.

Este artigo está em


Join the Conversation