Cai número de homicídios, mas mulheres morrem cada vez mais em Santa Catarina

Em contraste ao crime de feminicídio, os índices de homicídios em Santa Catarina têm caído nos últimos anos. Em 2017, o Estado registrou 987 assassinatos e no ano seguinte o índice caiu 21,4%. No ano passado, a retração foi de 10,3%, fechando 2019 com 695 homicídios em todo o Estado.

Joinville e Florianópolis, maiores cidades do Estado, tiveram, respectivamente, 15,4% e 37,7% menos homicídios em 2019 em relação ao ano anterior. A cidade que teve maior queda foi Camboriú, que conseguiu reduzir em 61,5% o número de assassinatos, saindo de 26 em 2018 para 10 no ano passado.

O delegado-geral de Polícia Civil e atual presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública, Paulo Koerich, atribui o resultado à integração dos órgãos de segurança aliada às ações e operações realizadas pelas instituições policiais. Além disso, ele ressalta a participação e integração da sociedade para os bons índices.

“As delegacias especializadas de todo o Estado têm agido com mais efetividade no combate às organizações criminosas”, complementa.

Mas, em diversas outras cidades, os números deram um salto, como é o caso de Tijucas, que teve apenas um homicídio em 2018, mas registrou sete no ano passado. Em Lages, o crescimento foi de 90%, saindo de 10 assassinatos para 19 em 2019.

 

Feminicídios crescem 38% no Estado

Se os números gerais do Estado no que diz respeito a homicídios estão diminuindo, a violência contra a mulher cresceu vertiginosamente no último ano, contrariando a diminuição registrada entre 2017 e 2018, quando houve queda de 19,2%.

Em 2019, 58 mulheres foram assassinadas no contexto de violência doméstica ou familiar, o que representa um crescimento de 38% em relação aos 42 registrados no ano anterior.

Apesar de afirmar que os crimes praticados contra a mulher não podem ser prevenidos, em especial o feminicídio, o presidente do Colegiado afirma que os programas desenvolvidos pela Polícia Civil e pela Polícia Militar, como o PC Por Elas e a Rede Catarina serão fortalecidos neste ano.

“Se for verificar, muitos deles aconteceram dentro de casa. Isso é um problema ainda que tem que ser trabalhado para que a gente crie a cultura de respeito à mulher”, diz.

O número de mulheres mortas aumentou em 32 municípios catarinenses.

 

Para presidente do Colegiado, policiais “agiram no estrito cumprimento do dever legal”

Quando o assunto é crime contra a vida, os números da segurança em Santa Catarina oscilam. Assim como o número de homicídios, os índices de latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes em ações da Polícia Militar registraram queda em 2019.

O Estado teve 34% menos crimes de latrocínio e retração de 36,3% no número de ocorrências de lesão corporal seguida de morte.

Em relação às mortes em ações da PM, em 2018 o Estado registrou 96 mortos pela PM, um aumento de 37% em relação a 2017. Já no ano passado, Santa Catarina teve 74 mortos em intervenções da PM, o que representa uma queda de 22,9%. Em contrapartida, o número de mortos em decorrência de ações da Polícia Civil teve um acréscimo de 38%.

O presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública ressalta que nos casos em que houve morte em decorrência da ação da Polícia Civil “o policial agiu no estrito cumprimento do dever legal”.

Já com relação às mortes que envolvem policiais militares, Koerich se limita a dizer que as instituições policiais são autônomas e que, “sem dúvida, esse assunto está sendo tratado pela Polícia Militar com a devida importância.”

Para o delegado, os bons índices fazem do Estado destaque nacional e isso se deve, segundo ele, à qualidade dos policiais que atuam na segurança pública. Koerich afirma, ainda, que, para manter os bons resultados, deve-se manter e investir em tecnologia melhorando ainda as condições de trabalho dos agentes que atuam na segurança pública catarinense.

Em 2020, a meta é continuar reduzindo os índices de criminalidade. Para isso, ele afirma que é preciso fortalecer os investimentos em tecnologia, reduzir o número de feminicídios e “possibilitar a integração dos órgãos de segurança de modo que nossos serviços prestados sejam cada vez mais eficientes ao cidadão”.

Fonte: ND+

Este artigo está em

Join the Conversation