Rodovia Histórica: saiba como está a situação do manifesto que busca asfalto para a SC 435

Aberta para passagem de veículos desde 1906. A rodovia que liga São Martinho a São Bonifácio, se tornou na época a principal ligação do Sul e ao Norte do Estado, porém até hoje a SC 435 não recebeu a pavimentação asfáltica. As reivindicações são muito...

Aberta para passagem de veículos desde 1906. A rodovia que liga São Martinho a São Bonifácio, se tornou na época a principal ligação do Sul e ao Norte do Estado, porém até hoje a SC 435 não recebeu a pavimentação asfáltica. As reivindicações são muito antigas, o projeto inicial foi elaborado em 2006 e até hoje não saiu do papel. Para debatermos este assunto, recebemos em nosso estúdio o professor Claudio Sehnem, ele que é representante comissão que busca o asfaltamento da Rodovia Histórica e o jornalista Wilson Boeing, colunista durante muitos anos de nossa edição impressa e atualmente diretor da empresa.

A entrevista foi realizada por Deivid Arent, repórter de nosso portal.

Entrevistador

“Professor Claudio, por que este projeto ainda não saiu do papel?”.

Claudio Sehnem

“Primeiramente agradeço pela oportunidade de estar aqui debatendo mais uma vez sobre esta Rodovia [a SC 435] e também às pessoas que nos acompanham. Mais uma vez a gente possui espaço para esta discussão tão importante, assim é possível trazer algumas informações para as pessoas e comunidades interessadas nessa luta em prol do asfaltamento da rodovia que liga os municípios de São Martinho e São Bonifácio. Os motivos, quero crer que sejam os mais complicados possíveis, porque levando em conta e em consideração todos os movimentos que nós já realizamos, atividades que desenvolvemos, enquanto comissão e comunidades com a participação de autoridades, levamos todo o pessoal de câmaras de vereadores dos municípios de São Martinho, Armazém, Rio Fortuna e São Bonifácio e conversamos com os responsáveis, as pessoas que devem projetar e encaminhar obras, enfim, de tudo que é necessário para encaminhar este asfalto. A resposta até hoje tem sido negativa. Então, qual o motivo ou os motivos de não se ter o asfalto hoje nessa rodovia!? Sinceramente, analisando a conjuntura de tudo isso, a gente consegue ver e perceber que talvez seja a falta de força e representação política em nossa região. Somo a isso também, talvez a falta de envolvimento e engajamento das pessoas de nossas comunidades. A gente tem feito um movimento, eu lembro que em um momento na comunidade de Santo Antônio no município de São Bonifácio, nós paramos e fechamos a rodovia e o público que participou foi muito limitado também. As pessoas querem melhorias e o asfaltamento, mas as vezes se esquecem de vestir a camisa e lutar, batalhar por isso. Tem se feito vários manifestos neste sentido, tem se cobrado das autoridades, hoje eu acho que este nosso bate-papo, vem no sentido de a gente poder mobilizar agora as novas lideranças que ali estão. O novo quadro administrativo que se formou depois das eleições municipais, para que os nossos prefeitos agora eleitos aqui na região, principalmente nos municípios de São Martinho, São Bonifácio, Rio Fortuna, Armazém, Braço do Norte, Santa Rosa de Lima, que são municípios que diretamente ganham com tudo isso, para que eles se envolvam de uma forma mais eficaz. Falo também na linha dos prefeitos e muito cobrando também, já solicitando empenho de nossos vereadores, a gente tem percebido que alguns [vereadores] tem acompanhado, mas a grande maioria não tem vestido a camisa e não tem feito o que deveria ter feito. Brigar, pleitear junto a seu candidato, ao seu deputado estadual e federal, enfim, fazer força, pressioná-los para que a gente possa também ter na nossa região o alcance desse objetivo que é o asfaltamento”.

Entrevistador

“Claudio, você citou a força política, que as vezes faltou um pouco de empenho. No protesto e manifestação que houve em São Bonifácio, o prefeito do município não se fez presente, se eu estiver errado peço que me corrija, mas já começa aí a falta de apoio dos políticos aqui da região?”

Claudio

“Analisando dessa forma eu lembro que na época o prefeito de São Bonifácio, hoje sendo ex-prefeito, ele não se fez presente mas foi um cara que batalhou bastante conosco também. Encaminhou vários ofícios, todos protocolados, tudo certinho, então, abriu várias portas pra gente poder chegar junto do pessoal do próprio DEINFRA, estivemos com o então secretário de infraestrutura (na época João Carlos Ecker), contatamos com representantes diretos do governo, também muito através dele. Ele não participou diretamente no dia do movimento, mas temos que fazer justiça, ele foi uma pessoa que também abriu muitas portas para nós, só que todas estas portas que abrimos em um determinado momento, de repente se fecharem novamente. Hoje se tem a ideia, a filosofia e eu digo talvez a válvula de escape de muito governantes, à crise. Temos que concordar que hoje há uma recessão mundial eu diria, mas nós podemos perceber também que, muitas coisas não são feitas e não são realizadas, fica muito fácil para quem administra dizer que não é possível fazer algo porque não há dinheiro, devido a crise, a coisa ficou muito fechada nisso. Isso a nível municipal, estadual e também federal. Assim, até que ponto nós vamos superar isso!? Nós vamos ter este asfaltamento? Quando isso vai ser garantido de fato? Se fala muito no papel, mas nós queremos a prática e a execução”.

Entrevistador

“O jornalista Wilson Boeing esteve presente na manifestação, e muito antes já utilizava da coluna na edição impressa, para estar divulgando e comentando sobre este assunto, ele entregou diretamente ao governador, Raimundo Colombo, 431 assinaturas de uma abaixo assinado, quando o mesmo esteve inaugurando o asfalto que dá acesso à Santa Albertina em São Luiz. Como foi a receptividade do governador, qual foi a sensação que você teve? Será que dá pra ter alguma esperança, que vem realmente este asfalto aqui pra região?”

Wilson Boeing

Nós entregamos todos os materiais produzidos sobre a Rodovia, os fatos que aconteceram, produção em vídeo, assinaturas, apenas cópias foram entregues a ele, porque já na manifestação em uma reunião anterior com o então secretário do DEINFRA (J.C. Ecker), o prefeito de São Bonifácio foi quem agendou a reunião e lá tivemos um número grande de representantes, todo o material foi entregue também a ele, então solicitamos uma audiência com o governador, pedido não atendido até hoje. Se o material não tivesse sido entregue ao governador e ficasse em uma gaveta, havia como negar o conhecimento deste movimento, porém tudo foi entregue em mãos do próprio. O que nós não recebemos foi uma resposta, que é o que nossa população está cobrando de nós, porque se nós estamos aqui como representante, eles nos cobram. Então antes do secretário Ecker deixar o cargo, ele esteve em Braço do Norte e o professor [Claudio] como faz normalmente e não é remunerado para representar a comissão, ele paga professores para cobrirem suas aulas, assim ele pode representar nestes encontros. Algumas pessoas de Rio Fortuna estiveram juntamente, em conversas pelo corredor o secretário afirmou que já havia o valor total atualizado da obra, 112 milhões, que até então eles não tinham. Mas o que falta para implementar a rodovia, para ela ser asfaltada? Segundo o secretário, somente se entrar dinheiro novo… Mas qual é este dinheiro novo!? Então…. dinheiro novo não existe, existem prioridades e isso infelizmente não está sendo feito. Outra afirmação foi de que o Sul necessita batalhar; o Sul está muito mal, não tem infraestrutura, está faltando muita coisa. Ele era o secretário de infraestrutura, então o sul era descriminado!? É minha conclusão, sul era descriminado. Se o sul não possui infraestrutura, quem é o culpado? – nós jornalistas, a comissão é que não somos. Se temos um projeto desde 2006 que era pra ter sido incluído no BIRD 3 (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), já estamos perto do oitavo BIRD e ainda esquecidos. Temos vários ‘representantes’ pagos com dinheiro público e que não estão em reuniões quando se fala da Rodovia, nós jornalistas e a comissão estamos sempre. Tivemos câmaras de vereadores que realizaram moção de apoio, iniciando em Armazém, após São Martinho, Rio Fortuna e São Bonifácio. Todas se solidarizando com a rodovia, sobre a necessidade de ser pavimentada. Só que na hora de seguir em frente, na hora de realmente cobrar das autoridades, é possível ver o vazio. São poucas pessoas, o resto não aparece. Infelizmente vivemos esta questão. Depois muitas vezes quando um jornalista cobra, aí se sentem ofendidos, mas eles [políticos] são pagos com dinheiro público e em todas as audiências públicas em meu ponto de vista, eles deveriam comparecer, sem a necessidade de nós jornalistas necessitarmos tomar a frente e buscar o que é importante para toda a região, deveríamos ser convidados para acompanhá-los e realizar a cobertura de suas reivindicações, desta forma poderíamos ao menos sonhar com esta rodovia. Enquanto isso não acontecer vamos estar muito distantes desta pavimentação”.

Entrevistador

“Inclusive você falou das câmaras de vereadores, dos municípios da região, inclusive está no projeto especial que o jornal elaborou sobre a Rodovia Histórica, ali estão presentes as câmaras de vereadores. Na hora de participar e definir prioridades no voto, parece que falta político para levantar o dedo né!?”

Wilson

“Lamento que tenham acontecidos estes fatos, não só em torno da rodovia, mas em qualquer audiência pública que se promova em municípios, que são para o bem da representação da população, onde se defende uma região, se vê muito poucos representantes, porque são pagos para representar o povo. Eu tenho participado de muitas [audiências], a maioria quando alguma autoridade participa não sugere ideias e apenas escutam, há exceções entre um e outro que se manifesta, que batalha e procura”.

Entrevistador

“E sobre a resposta do governador Raimundo Colombo, na verdade a resposta ele deu se comprometendo, porém talvez não tenha vindo a ação, que seria o principal. Claudio, quais os benefícios que esta rodovia pode trazer?”

Claudio

 “São inúmeros benefícios se você analisar. Há histórias por trás desta Rodovia, até por uma questão de respeito, foi uma das primeiras rodovias que interligou o sul ao norte do estado na época, única passagem da história que fez esta ligação, trazendo hoje os benefícios diretamente, a questão da diminuição de nossas comunidades, as que ficam nesse trajeto. Desde São Martinho até São Bonifácio são inúmeras comunidades que estão sofrendo com o êxodo rural, principalmente os jovens, que estão saindo para Joinville, Florianópolis, Blumenau, enfim, buscando campos de trabalhos fora do município. Nós estamos deixando de agregar renda a nossa região, porque sitiantes [pessoas que possuem sítios, compram] estão vindo de fora e além de comprar os terrenos e estarem montando sítios, acabam deixando para os municípios apenas o lixo, pois muitos trazem os produtos comprados em suas cidades. Estamos sofrendo uma diminuição muito grande da população, se analisarmos através de pesquisas, vamos notar que a população de São Martinho e São Bonifácio tem diminuído, também em função disso nós temos hoje a questão do escoamento de produção, o pessoal que trabalha com gado de leite, lacticínios, tem muita dificuldade para estar chegando em algumas propriedades, a gente vê hoje que o município desperdiça uma energia muito grande no trecho que é estadual, tentando reparar este caminho, então aquela força que eles colocam na SC 435 que seja São Bonifácio e São Martinho, eles poderiam estar utilizando o material [a areia], os trabalhos das máquinas, poderia estar conservando as estradas municipais que ligam às comunidades. Então se vê a dificuldade no escoamento do leite, o pessoal que tem as empresas, muitas madeireiras de Rio Gabiroba, Rio São João se deslocaram para Jaguaruna, Capivari de Baixo ou outros lugares porque tinham prejuízos muitos grandes com quebra de caminhão, o próprio custo x benefício em si era alto demais. Então, a gente analisando e somando tudo isso, veja só quantos prejuízos a nossa região sofreu em função disso. Se você analisar hoje, é uma questão de desenvolvimento, se você quer desenvolver a sua região, vai ter que investir no asfalto. Aí temos a comunidade de Vargem do Cedro como uma referência de desenvolvimento muito grande, porque teve um desenvolvimento pessoal lá, as pessoas da comunidade com apoio de prefeitos desenvolveram aquela comunidade. Mas nós vemos hoje que a região norte de São Martinho, que envolve Rio Gabiroba, Rio São João, Alto Rio São João, Rio Areia, Alto Rio Sete, Barra do Rio Sete, são comunidades que carecem de um desenvolvimento, que precisam de uma estrutura também, e isso implica novamente no asfaltamento”.

Entrevistador

“Tenho contato com uma moradora de São Martinho e ela relatou que há um esquecimento profundo do interior, há assim até uma diminuição da população. Fica evidente que o pessoal está se deslocando, falta este apoio, falta o pessoal se envolver mais pra ajudar, não acha?”

Claudio

“Sem dúvidas, eu vejo que principalmente o público jovem está saindo porque não consegue enxergar uma perspectiva no meio rural. Imagina um cidadão que possui uma propriedade em Rio Sete e ele decide produzir algo para vender, que seja em São Bonifácio, São Martinho, Florianópolis, Tubarão ou Braço do Norte. O trajeto que ele precisará fazer na estrada de chão, tudo bem quando está seco ele vai encontrar muita poeira, quando chove na maioria das vezes, ele vai encontrar lama, buraco, todo o patrimônio que ele investiu, seja na compra de um veículo pra estar levando seus produto, vai estar sendo colocado em risco na atual condição da estrada”.

Entrevistador

“Se referindo a manifestação que aconteceu em novembro de 2015, houve um acordo da imprensa no geral, os meios de comunicação estiveram presentes, debateram o assunto. Como foi que você analisou todo este envolvimento da imprensa regional no projeto?”

Wilson

“Vi de uma forma positiva. A imprensa aqui da região e principalmente do vale de Braço do Norte. Nós falamos bastante da SC 435 e também temos um ‘ramal’ que liga Rio Gabiroba e Rio Fortuna, então a população destes outros municípios também possui interesse para que isso seja incorporado no mesmo projeto, inclusive esta foi uma autorização dada pelo secretário na época da confecção do projeto. Sempre que possível, questiono os prefeitos, e hoje segundo o atual prefeito de Rio Fortuna as informações são de que aquele projeto está concluído, entre Rio Gabiroba e Rio Fortuna. O valor seria de 19 milhões, para realizar estes 10 km que se anexariam juntamente à SC 435. Então, 112 com mais 10 (dez), nós estaríamos com uma obra 122 milhões de reais para 52 km de estrada. Uma obra não tão cara, pela extensão e o desenvolvimento que será proporcionado por ela a toda população. Vejo que houveram alguma coisas positivas, o que falta é de fato priorizar ela e dar mais retorno de quando e como isso vai se tornar viável”.

Entrevistador

“A gente tem falado muito de passado, ex-prefeitos e governadores. Para o futuro uma nova administração, hoje temos novos prefeitos, vereadores e em breve um novo governador. Como que vai ficar a situação? Já há algo em vista e já se conversou com novas administrações de como tudo isso ficará?”

Claudio

“Eu diretamente, não conversei com as novas administrações. Acho até importante este material que estamos produzindo que acaba por persuadir e ter um alcance interessante que com certeza chegará a estas pessoas. Temos sim o objetivo de procurá-las, de conversar com elas pra mapearmos ações, para sensibilizar as nossas lideranças lá [em Florianópolis], para que elas possam ajudar também nesse asfaltamento. Eu penso que se nós conseguirmos montar uma mobilização na Assembleia Legislativa, reunindo cerca de trezentos pessoas, para se fazer uma certa pressão. Esta é uma ação extrema, mas não está descartado de mobilizarmos a comunidade para isso. Nós vamos ter este ano todo pra ver estas questões, a princípio assim conversar com as pessoas, buscar os contatos, não deixar morrer aí o futuro, ele pra isso também é incerto. Nós temos batalhado bastante e procurado muitos contatos e a gente sempre tem esbarrado em portas que se abriram e novamente se fecharam. Então a gente tem caminhado, dado passo para frente mas tem recuado muito também. Vale toda luta e esforço, nós esperamos todo o tempo que o secretário e o pessoal do governo solicitou, mas enfim, este momento agora vai ser de contatos, de buscar e tentar manter viva esta chama em prol deste asfaltamento para se chegar ao objetivo”.

Entrevistador

 “E para chegar neste objetivo, a imprensa continuará apoiando?”

Wilson

“Qualquer contato que eu faça com alguma liderança, seja do governo do estado, da Assembleia Legislativa, ou inclusive vereadores e prefeitos, eu sempre questiono. Tenho deixado a posição bem clara, em relação a rodovia, nós do O Regional Sul somos imparciais. Este é um projeto de prioridade que pra nossa região já deveria ter acontecido. Infelizmente as coisas estão lentas, mas a gente não perde a esperança. O que as lideranças precisarem para cobertura de fatos em relação a rodovia é só nos contatar, estamos batalhando juntos. Nada melhor do que agora já que houve uma mudança de secretário, agora o responsável pela infraestrutura do estado é do sul, sendo este o momento de as lideranças se articularem. Nós da imprensa podemos ajudar se for necessário, estamos juntos e eu vejo que este seria um caminho, para conversarmos e ver como está a situação. Pode ser que algo esteja sendo feito e ainda não sabemos. Em outra conversa que tive com o prefeito de São Bonifácio, ele me disse algo muito importante que é, se as pessoas estão saindo do município por falta da rodovia, ou se estão deixando de vir, então é necessário priorizar esta obra, ao menos para desenvolver o município ao longo dela. Informou que está tomando conhecimento da situação do município e que esta é uma luta que desejam abraçar. Torcemos que estas lideranças caminhem, todas para uma direção só. Principalmente São Martinho, São Bonifácio e Rio Fortuna, que possuem ligação direta, que se unam e batalhem, nós da imprensa estamos juntos para defender este projeto”.

Entrevistador

“Agradeço a presença do professor Claudio Sehnem, ele que é um dos responsáveis por cobrar e fazer parte das manifestações deste projeto e o jornalista Wilson Boeing. Se depender de nós estaremos com muita atenção, cobrando esta pavimentação para a rodovia que liga São Martinho a São Bonifácio”.

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