‘Bola não matou Eliza’, diz goleiro Bruno em entrevista

VARGINHA. Às vésperas de completar dez anos, o caso envolvendo o goleiro Bruno Fernandes, 35, pode sofrer uma reviravolta. Em entrevista exclusiva a O TEMPO e com revelações jamais feitas, o jogador inocenta o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, condenado por ter sido o executor do assassinato e da ocultação do cadáver de Eliza Samudio.

Além disso, ele garante que Luiz Henrique Romão, o Macarrão, é a chave para desvendar o crime. Diante das declarações, a defesa do ex-policial diz que vai estudar se há base legal para pedir a reabertura do processo.

A reportagem de O TEMPO esteve com Bruno no fim de janeiro, ao lado da mulher dele, Ingrid Calheiros, da filha caçula do casal, de 2 anos, e da advogada do goleiro, em um hotel de Varginha, no Sul do Estado, onde ele cumpre pena de 20 anos e nove meses, atualmente em regime domiciliar.

Além de Bruninho, 10, que o ex-atleta teve com Eliza, Bruno é pai de duas meninas, de 14 e 11 anos, fruto de seu primeiro casamento, com Dayane.

Durante a conversa, ele disse que nem sequer conhece Bola e que o ex-policial teria sido implicado no crime por causa de uma rixa que tinha com Edson Moreira, delegado do caso.

“Até que me provem o contrário, para mim, o Bola é inocente. Nesse caso, ele é. Quero avaliar a prova que liga o Bola a esse assunto. Não tem. Foi muito mais naquela época lá, que tinha que condenar, quando o Macarrão falou no júri que o ‘Bruno agora é o mandante, agora fecha. O Bola é o executor’. Tá, ele é o executor, prova isso. Prova também que eu sou o mandante”, declarou.

Bola foi condenado a 22 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado (por asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver.

Para o goleiro, o ex-policial “caiu de paraquedas” no processo. “Não conheço ele de lugar nenhum, nunca vi o Bola na minha vida. Todos os amigos que eu tinha eu sempre registrei, sempre estiveram nas minhas fotos, uns conhecem os outros, mas o Bola não conheço. A meu ver, pelo que eu já ouvi de história, é muito mais perseguição do que ele nesse caso”, argumentou.

Um dos advogados de Bola, Zanone Manoel Júnior, afirmou que vai se reunir com os colegas no caso – Ércio Quaresma e Fernando Magalhães – para estudar um possível pedido de revisão do processo. “A qualquer momento, surgindo uma prova da inocência, qualquer documento pode ser juntado”, disse.

Já Edson Moreira negou qualquer problema de ordem pessoal com Bola. “Não tenho nada contra ele, nem raiva dele eu tenho. Tenho raiva é do crime”, falou. O ex-delegado acredita que a declaração do goleiro tenha sido motivada por medo.

Edson Moreira, porém, crê na possibilidade de outros participantes no assassinato ainda não terem sido condenados. Para ele, José Lauriano de Assis Filho, policial aposentado conhecido como Zezé, foi um dos mentores e intermediários do crime. O júri de Zezé está marcado para 17 de setembro deste ano.

José Arteiro, que atuou como assistente de acusação no julgamento e segue como defensor de Sônia Moura, mãe de Eliza, vai na mesma linha e cita como exemplo o ex-motorista de Bruno, Cleiton Gonçalves. “Eu não duvido de nada porque o Cleiton sabia de tudo também”, comentou.

Cleiton chegou a ser preso, mas não foi denunciado por falta de provas. Ele dirigia o carro do goleiro que foi apreendido em uma blitz dois dias antes da data que consta no atestado de óbito de Eliza. No veículo, foram encontradas manchas de sangue da modelo.

Lorivaldo Carneiro, advogado do ex-motorista, disse que ficou surpreso com as declarações que colocam seu cliente mais uma vez na história e que se trata de uma calúnia.

Chave. Além de ter inocentado Bola, Bruno alega que Macarrão é “a chave de tudo” e que torce para ele “contar realmente a verdade”.

“Acho que ele deve isso para a sociedade. Se ele foi a última pessoa a estar com a Eliza, por que ele não fala onde ela está então? Fala o que aconteceu realmente com ela. Não o que ele falou lá no júri, porque o júri é mentira”, ressaltou. Bruno disse que Macarrão já lhe contou o que realmente aconteceu, mas que cabe ao ex-braço direito esclarecer o caso. Macarrão não quis se pronunciar.

Crime faz dez anos sem que corpo tenha sido achado

Dez anos após o desaparecimento de Eliza Samudio, as autoridades ainda não têm pistas sobre a localização de seus restos mortais. Desde quando o caso veio a público, a polícia já fez buscas em diversos lugares, entre eles o sítio do goleiro Bruno e a casa e a chácara de Bola.

Entretanto, nenhum vestígio de Eliza foi encontrado, apenas as manchas de sangue no veículo do goleiro. A Polícia Civil não informou quantas buscas foram realizadas.

Fonte: O Tempo

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