Dez coisas que temos que aprender antes de ser sócio

Muitas empresas nasceram de uma ideia de uma pessoa, que, convidando outra para ser sócio, montaram uma empresa que no início assumiram todo o custo, dedicaram seu tempo, abriram mão de atividades pessoais para se dedicar ao projeto e depois de um tempo, quando a empresa começou a demonstrar sinais de lucro, acabaram não se entendendo mais, porque um sempre pensava que fazia, trabalhava, produzia, ou vendia mais ou que tinha mais iniciativa, achando-se prejudicado em relação à sociedade. O relacionamento vai se desgastando, porque não tem regras, acordos, combinações e tampouco um sócio sabe com clareza o que dizer ou esperar do outro, e por fim, apenas julga as atitudes e comportamentos aprovando ou reprovando-as, em sua maioria. Ocorre que dificilmente, em instituições de ensino tradicionais se houve falar em empreendedorismo, e tampouco em como ter ou ser sócio.

A maioria das empresas que são iniciadas sem um estudo formal, seus proprietários aprendem a ser sócios apenas com a prática. Alguns com sucesso e outros com frustração.

Antes de formar uma sociedade, no mínimo dez coisas são essenciais:

  1. conhecer bem quem é a pessoa com a qual irá se associar, suas competências, valores e áreas de afinidade;
  2. se suas próprias características somam e complementam com as do outro sócio;
  3. avaliar o momento da economia, se as diretrizes governamentais estão direcionado para esse ramo de atividade, e se o sócio possui condições, morais, físicas e financeiras que você espera que tenha;
  4. divisão de obrigações e de funções, se isso não estiver claro, acaba que um dos sócios se sobrecarrega;
  5. reuniões periódicas com planejamento, metas e resultados, pois o fato de um sócio ser responsável por uma das áreas não significa que não tenha que prestar contas de seus números;
  6. escrever todas as regras entre sócios, formando um acordo de acionistas, onde tudo que é combinado passa a ser a lei maior entre os sócios e tudo escrito e assinado, constituindo o chamado “acordo de acionistas”;
  7. elaboração da chamada “Política da Empresa” em documento específico, devendo ser assinado por todos os sócios, entregue a todos os colaboradores e comunicada aos parceiros comerciais;
  8. definição clara de pro labore de acordo com o mercado para a função de cada sócio;
  9. não escolher o sócio por grau de parentesco, proximidade ou amizade, mas sim pela característica essencial que poderá servir para a empresa e sociedade desenvolver positivamente;
  10. uma pesquisa de mercado para que o negócio seja iniciado com segurança.

Ainda, o ideal é que os sócios se reúnam várias vezes, previamente, e que construam uma relação de prós e contras de sua sociedade. O indicado é que cada pessoa que vai participar de uma sociedade saiba o que significa cada cláusula do contrato social, assim como o que diz a lei sobre suas obrigações como sócio, para extrair da sociedade o melhor resultado, gerando inclusive novos negócios, e investimentos decorrentes de uma união saudável de forças.

 

Giovani Duarte Oliveira (Advogado, Especialista em Direito Processual Civil, Especialista em Gestão Estratégica de Empresas)

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