‘Ele fez tudo que quis comigo’, fala mulher estuprada por médico

“Ele tirou a minha máscara e fez tudo que quis comigo e eu infelizmente congelei”. A lembrança do dia 5 de agosto de 2021 não será apagada da memória da mulher de 28 anos que foi estuprada por um médico em uma unidade de saúde de Joinville. Ele foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira (1º).

Professora, ela está afastada do trabalho desde que o estupro aconteceu e ela denunciou o caso tanto ao município como à Polícia Civil. Clínico geral com especialidade em psiquiatria, o médico de 64 anos é investigado por outros casos.

Ela conta que estava com crises de ansiedade e depressivas e era a primeira vez que procurava atendimento na unidade de saúde do bairro Iririú, zona Leste da cidade, quando o abuso aconteceu. “Eu fui muito bem recebida na unidade. Eu estava muito mal, chorando e todas as profissionais foram atenciosas. Aguardei para ser atendida confiando que eu ficaria melhor”, lembra.

Quando entrou no consultório, a vítima estranhou a disposição das cadeiras, mas não imaginava o que aconteceria depois que o médico trancou a porta. “Eu não vi maldade porque eu nunca imaginei que isso aconteceria. Ele sentou e tinha uma cadeira ao lado dele. Sentei na frente, normalmente e ele começou a me perguntar tudo até que ele levantou e disse, exatamente isso, com essas palavras: o que você está precisando é de alguém que cuide de você e eu vou cuidar de você”, recorda.

A partir daí, o pesadelo da professora começou. Ela conta que ele tirou a máscara dela e “fez tudo que quis comigo, você pode imagina”, diz com a voz embargada. “Eu infelizmente congelei. Eu gritava por dentro, ouvia meu grito, mas não conseguia falar. Ele parou a hora que quis, recolocou a minha máscara e sentou como se nada tivesse acontecido”, fala.

O médico ainda a ameaçou. Ex-militar, ele usou ainda do poder de médico para amedronta-la. “Ele pegou a minha ficha, todos os meus dados e disse que eu estava nas mãos dele e disse: daqui não sai”, conta. Além disso, o médico é filiado a um partido político, a colocou em um grupo e usou os dados dela. Os prints estão todos anexados ao inquérito policial.

No dia seguinte, ela foi à delegacia e registrou o caso, além de denunciá-lo ao município. “Eu fui no dia seguinte, ainda demorei, ele achou que eu não faria isso, soube que ele fez com outras, mas ninguém havia denunciado. Pensei muito na minha filha”, diz.

O pesadelo do estupro, o medo da ameaça e a tortura psicológica não saem da memória da professora. “Tive que fazer corpo de delito, tomar remédio pra tudo. Foi uma terceira tortura

A primeira tortura com ele, a da denúncia ao relembrar tudo, a do hospital. É uma tortura constante”, lamenta.

Ela reforça que a denúncia é um meio de evitar que outras mulheres passem pelo mesmo pesadelo e, ao saber da prisão, o que sentiu foi alívio. “Acho que foi a primeira vez que sorri porque eu só quero que não aconteça com outras mulheres. Na psiquiatria você já pega pessoas muito vulneráveis e se eu puder evitar que uma pessoa passe por isso, vai ter valido a pena denunciar. Eu só quero justiça. O ato em si foi feito, não tem como voltar atrás, mas o que eu puder fazer para a justiça ser feita, vou fazer até o último minuto da minha vida”, finaliza.

 

 

 

Fonte: NDMais

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