Com o passar do tempo a sociedade foi mudando e muitas classes trabalhadoras e profissionais tem suas classes desaparecendo lentamente ou rapidamente. Uma classe que está desaparecendo é a profissão de alfaiate que ao que tudo indica está com os dias contatos, entrando na lista de profissões que estão no caminho da extinção.

A alfaiataria é uma profissão que teve seu início por volta do século XVII na Europa, e posteriormente, foi se espalhando pelo mundo. Essa é uma arte realizada pelos profissionais que criam roupas masculinas como ternos, calças, coletes, camisas, paletós e muitas outras para compor o visual masculino. As roupas são criadas de forma personalizada, sob medida, de forma exclusiva e artesanal. Sendo assim, o alfaiate pode ser considerado como um artesão, um artista que cria e faz arte.

Na cidade de Armazém encontramos um artista dessa profissão antiga. Trata-se de José Adelberto Michaels, o popular Zezinho alfaiate. Pai de quatro filhos homens e alfaiate deste o ano de 1954.

O começo

Através do incentivo de familiares, Zezinho começou no ofício, como ele mesmo conta “eu morava na cidade de Vidal Ramos e no ano de 1954, minha irmã Ana Nivaldes Michaels me incentivou a seguir na profissão a qual meu cunhado já exercia. A partir do meu interesse, meu cunhado Antônio Boeing (in memoriam) foi meu primeiro mestre e trabalhamos por mais de seis anos juntos. Depois fui trabalhar em Blumenau com Arno Bauker (in memoriam), para assim conseguir me aperfeiçoar na Profissão. O Senhor Arno era um grande alfaiate e assim como meu cunhado aprendi muito na profissão de alfaiate”.

Já com conhecimento, Zezinho resolveu retornar a sua cidade natal como ele mesmo salienta, “Após um longo período de aprendizado, fui incentivado pelo saudoso José Diomário da Rosa, que tinha uma loja de roupas em Armazém, para retornar para minha cidade de origem. Como eu era solteiro, criei coragem e retornei para Armazém para trabalhar na Profissão”. Na época alfaiate era uma profissão bastante requisitada, “no começo fiquei com um pouco de medo, porque na cidade de Gravatal tinha cinco alfaiates. São Martinho e São Bonifácio também tinha alfaiate. Comecei com o Zé Diomário, ele comprava o tecido e eu confeccionava para ele. Isso aconteceu em meados de 1961. Me dediquei bastante e aos poucos o pessoal que era acostumado a ir para Gravatal, começaram a me procurar e como sempre fiz os cortes e as medidas com muito cuidado, comecei a conquistar os clientes e tudo começou a se encaminhar”.

 

O auge

Na década de 60 trabalho não faltava para Zezinho, como ele mesmo afirma, “após me firmar em Armazém, eu tinha muito trabalho. Na época (década de 60) muitas pessoas me procuravam para fazer terno, era para festa de aniversário, Páscoa, Natal… para vocês terem uma idéia, a partir do mês de abril, após a Páscoa, eu trabalhava até tarde da noite para deixar os ternos prontos para a festa de São Pedro que aconteceria no final de junho, era muito trabalho.” O trabalho era bastante requisitado e sozinho não tinha como dar conta do recado, “como eu tinha muito trabalho eu tinha dois funcionários e os meus filhos e esposa me ajudaram bastante também. O sacrifício valia a pena, porque depois éramos recompensados em ver a satisfação dos nosso clientes”.

 

A mudança

Aos poucos a procura por um alfaiate foi diminuindo, como explica José Michaels, “no início da década de 70, sofremos uma grande mudança com a introdução do Jeans. Quando começou o jeans, o pessoal começou a ter uma visão mais esportiva e não era qualquer um que queria um terno. Desta maneira a profissão de alfaiate foi caindo em declínio, hoje em dia poucas pessoas procuram um alfaiate, ainda mais com estes produtos da China.” Segundo o alfaiate, a profissão não vale mais a pena, “a profissão está em extinção e não encontra-se mais um alfaiate jovem, em breve não teremos mais alfaiates para contar histórias”. Apesar da mudança Zezinho segue na profissão e dá um recado, “ainda me mantenho ativo, graças a Deus, mas nos últimos 10 anos os serviços minguaram. Ainda faço terno, apesar de poucos, também faço bainha, reparos e muitos mais, porém o serviço não chega nem perto de tempos atrás. Infelizmente a profissão de alfaiate não vale mais a pena, já que a moda hoje é bastante varaiada e desta maneira não tem como um profissional se sustentar. Não vale mais a pena ser um alfaiate”.

 

Reconhecimento e agradecimento

Apesar das dificuldades dos dias de hoje, Zezinho afirma que valeu a pena, “quando eu vim para Armazém, trabalhei bastante e assim foi até 15 anos atrás. A vida é assim, tudo muda e a profissão de alfaiate mudou, infelizmente para pior. Consegui construir e criar minha família através do minha profissão. Sou muito grato a profissão e reconheço que meus clientes e incentivadores foram peças fundamentais em minha vida”. Fica também o agradecimento do nobre alfaiate, “quero agradecer…(emocionado) é até difícil de falar…desculpem. Mas eu sou muito grato a todas as pessoas que me ajudaram e foram meus clientes fiéis (sic), tudo o que eu adquire foi graças a todos vocês e quero pedir desculpas se um dia eu não atendi algum de vocês da maneira que gostariam. Todos vocês, que desde o ano de 1961 estiveram comigo eu sou eternamente grato, muito obrigado”.

Com o avanço tecnológico, as indústrias fabricaram roupas em maior quantidade de variedades e preços mais acessíveis, tornando e colocando o alfaiate na lista das profissões em extinção.

 

Por: Lissandro Velho

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