Profissão em extinção: Sapateiro Profissional

A arte de fabricar sapatos surgiu a partir do momento em que o homem sentiu a necessidade de proteger seus pés, seja do frio, seja dos obstáculos do solo. A função do sapateiro é manusear botas, calçados, chinelos e calçados em geral, fabricando-os ou mesmo consertando-os.

Quando surgiu a profissão de sapateiro, ela era bastante discriminada, sendo considerada menos relevante do que as profissões de curtidores e carniceiros, por exemplo. Porém, com o tempo, a profissão se tornou mais popular, o que despertou a necessidade de estabelecer um padrão na forma de fabricação de calçados entre os diversos sapateiros.

Essa uniformização surgiu na Inglaterra, em 1305, quando o Rei Eduardo I decretou que a medida de uma polegada deveria equivaler a três grãos secos de cevada, estabelecendo uma medida padrão para a fabricação de calçados. A partir disso, os sapateiros passaram a fabricar calçados seguindo essa forma de medida. Um sapato de criança, por exemplo, que medisse trezes grãos, recebia a medida padrão treze. Depois da uniformização inglesa, a padronização se tornou uma tendência mundial.

Atualmente, a procura por sapatos sob medida faz parte de um passado distante, em virtude do crescimento das indústrias especializadas em produções em massa. Hoje, a profissão do sapateiro limita-se, praticamente, a consertar sapatos, estando à fabricação artesanal quase completamente extinta. Porém, sempre há aqueles que procurem o artesão experiente em busca de um modelo único e especial, o que valoriza muito a peça e traz reconhecimento ao sábio trabalho do sapateiro profissional.

Em nossa região, as dificuldades em achar profissionais na arte de sapateiro faz com que por muitas vezes em vez de concertamos um bom sapato, preferimos descartá-lo e investirmos em um novo, muitas vezes de qualidade inferior.

Um dos poucos sapateiros profissionais em nossa região encontra-se na cidade de Tubarão, trata-se de Roberto Vieira da Silva, da Sapataria De Lurdes. Devido à necessidade e a habilidade em trabalhar com calçados, aos 40 anos Roberto colocou em prática um aprendizado de sua adolescência e achou na profissão de sapateiro a gratificação pela vida, como ele mesmo afirma “No início da década de 70 eu estava aprendendo a trabalhar com sapatos, porém a enchente de 1974 encerrou com tudo, passei por dificuldades e a partir do ano 2000 e com 40 anos de idade, resolvi queimar meu último cartucho e acreditar na profissão de sapateiro. Hoje eu me sinto gratificado, já que está profissão me mantém e me mantém com certa folga, ainda mais nos dias de hoje em que existem milhões desempregados e desesperados”.

Natural de Tubarão, Roberto afirma que está profissão está acabando, “hoje a nossa grande dificuldade está em conseguir material para o trabalho, mas sempre aparece um vendedor. Infelizmente nossa profissão está se extinguindo, ainda mais essa geração de informática que não tem o menor interesse nessa profissão. Além de não haver o interesse, hoje muito mais se prefere comprar um sapato novo ao invés de mandar consertar. Mesmo assim existem bastantes pessoas que consertam seus sapatos”.

Lissandro Velho / Divulgação ORS

Com todo seu conhecimento, o sapateiro passa uma dica, “quando você for comprar um sapato, tênis, bota… compre algo de qualidade, por que o material que vêm da china é puro lixo, não vêm nada que presta. Você compra em um dia e no outro dia já está com problemas. Fica há dica, principalmente para as mulheres que fazem o nosso mercado, compre sempre com qualidade e apenas o necessário, porque se for para guardar, vai estragar”.

No tempo que esta exercendo a profissão poucos são os fatos inusitados, “talvez o fato mais inusitado seja o concerto de sapatos de palhaços. Sempre que um circo passa na cidade eles nos procuram para concertar os sapatos. Também já fiz protótipos para desfiles de moda na Unisul, nada além disto”.

Por fim ele define sua profissão, “está é uma profissão muito antiga e para poucos. É uma pena que está acabando e juntamente com meus colegas, temos a consciência que cada um de nós que se vai, é fim de carreira, fecham-se às portas e será um a menos. Minha sapataria, o nome é em homenagem a minha Mãe que se foi no último dia das Mães. Fico muito feliz que queimei meu último cartucho acreditando na profissão de sapateiro e acertei no alvo”.

Fica a mensagem para os jovens, “deixou uma dica para os jovens. Estamos com muito desemprego e o trabalho de sapateiro pode ser uma alternativa para você conseguir uma vida estável. Você vai conseguir sobreviver. Basta ter muita vontade e habilidade com sapatos. Tudo pode se aprender, basta acreditar. Tenho muitos serviços, como pintura, trocar cano de botas, colo saltos, tiro saltos, trocar zíper, apertar canos, trabalho com solas, uma infinidade de trabalho”.

Por último, fica o agradecimento “quero agradecer a atenção, porque isso é muito raro, ninguém da uma oportunidade para uma profissão em extinção, geralmente procuram um arquiteto, um engenheiro, um advogado… e fico muito agradecido pela oportunidade única. Muito obrigado”.

Talvez você que leu está matéria e está em uma situação difícil ou conheça alguém, você pode ver nesta publicação a chance de mudar de vida e dar a continuidade em uma arte das mais antigas ainda em atividade.

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