Laguna é palco de megaoperação da Polícia Civil e Ministério Público

A Polícia Civil e o Ministério Público de Laguna iniciaram hoje pela manhã, em Laguna, Sul do Estado de Santa Catarina, o cumprimento de ordens judiciais, prisões preventivas e temporárias, mandados de condução coercitiva, mandado de busca e apreensão e, investiga o envolvimento de políticos e empresários da região.

A Operação Seival investiga crimes contra fraudes em licitações na referida cidade e atuação de políticos da região. Neste primeiro momento foram destacados 90 policiais civis para participarem da operação e cumprirem as medidas cautelares. Segundo informações da polícia civil são 76 ordens judiciais correspondentes a: 25 mandados de condução coercitiva e 38 mandados de busca e apreensão, seis prisões temporárias, sete prisões preventivas, dentre elas a de um vereador do município.
Os trabalhos estão divididos em três inquéritos:

No 1º inquérito – Segundo as investigações há um grupo de empresários que supostamente “frustraram o caráter competitivo de duas licitações, mediante ajuste prévio dos preços ofertados”. Também leva a crer que uma organização criminosa atua na área de licitações em Laguna, “especificamente, na realização de obras e fornecimento de materiais, e que possui entre os seus integrantes, um vereador da cidade, que foi licenciado do cargo para exercer a função de secretário municipal”.

A polícia afirma ainda, que o vereador, que teve sua campanha financiada pela organização criminosa, “praticou atos ilícitos para atender exclusivamente interesses privados em detrimento do interesse público, inclusive articulou para obter licitações em benefício do grupo, bem como intermediou junto à Secretária da Fazenda para liberação de dinheiro após a realização de obras ou serviços”.
Além disso, aponta também que um dos empresários teria recebido verba da prefeitura referente ao fornecimento de materiais de construção para a Secretária de Obras por meio de um decreto emergencial por causa das chuvas de dezembro de 2016. A suspeita é que o pagamento foi intermediado pelo vereador, que na época era secretário municipal.

No 2º inquérito – Os fatos apurados pela polícia apontam que o vereador, no período em que atuou como secretário municipal, teria ordenado aos seus funcionários que aprovassem os candidatos indicados por ele, além de vazar informações sigilosas.
“Os candidatos beneficiados já possuíam prévio vínculo com a secretaria ou com o então titular da pasta, tendo sido aprovados em uma avaliação prática bastante obscura, sendo que sequer atendiam os requisitos mínimos para o exercício do cargo”, conforme a investigação.

No 3º inquérito – Segundo informações da polícia este inquérito só foi instaurado mediante uma denúncia anônima. De acordo com os investigadores, a própria população “observava as constantes fraudes que ocorriam no município. Foi possível comprovar os constantes desvios de materiais, que deveriam ser utilizados na reforma de um colégio local, para uma obra particular de um influente agente político da cidade”.
Ao longo da investigação, outros delitos foram descobertos. A polícia informou que todos possuem envolvimento de políticos locais, que agiam mediante recebimento de propina para beneficiar amigos ou funcionários.

Operação Seival faz referência ao nome da embarcação usado por Giuseppe Garibaldi na Tomada de Laguna, que culminou com a proclamação da República Juliana durante a Guerra dos Farrapos. Há também, uma praça na cidade como o nome Seival, na região do Mar Grosso.

Em Nota Oficial – A Prefeitura de Laguna informou nesta tarde que após o término do cumprimento dos mandados e depoimentos relacionados à Operação Seival se pronunciará sobre o ocorrido assim que receber as informações do inquérito e se coloca à disposição para cooperar com a investigação e tomar as medidas cabíveis nas esferas jurídicas e administrativas.

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