Com o trabalho veio o aprendizado, a gratidão e amor ao próximo

 Nesta edição abriremos mão da divulgação do esporte amador, que está praticamente parado, para recomeçar o trabalho com personalidades que marcaram época, principalmente em Armazém e região. Na próxima edição traremos notícias sobre o esporte amador novamente.
Nesta passagem de vida, todos nós Seres Humanos temos nossas dificuldades, particularidades e diferenças, estamos sempre em busca da felicidade e não somente na vida pessoal, como também na nossa Profissão. Feliz daquele que ama sua Profissão e consegue transformar o seu dia a dia em algo muito mais divertido e prazeroso.
Hoje vamos conhecer um pouco mais da história do conceituado Médico Roque Batista Velho. Ele marcou época com sua dedicação, trabalho incansável e principalmente amor na profissão e ao próximo.
O interesse na medicina
Doutor Roque Batista Velho é um médico nascido na cidade de Bom Jesus-RS e formado pela Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre, hoje Fundação Universitária Federal Faculdade de Ciências Médicas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no ano de 1971, em 5 de dezembro. Filho de Boaventura Batista do Amaral e Maria de Lurdes Ribeiro Velho, agricultores. Casado com Dóris Gomes Velho, há 47 anos e tem como filhos Lissandro, Raquele, Debora e Liriane. Avô de Davi, Barbara e Maya (que chegará em breve).
A respeito do interesse pela medicina, Dr. Roque afirma “eu sempre quis ser médico, desde menino. Lembro-me de ter ganhado de meu Pai um livro de ciências do colégio, onde ele havia estudado. Meu encantamento pelo livro foi total. Em todos os momentos, em que podia, abria meu presente predileto e passava grande tempo vendo a anatomia do corpo humano. Foi desta maneira que começou minha paixão. Desde então, vivia a ânsia de me tornar médico.” Desde novo a dedicação em se tornar médico era grande, “Estudei em diversos colégios, fiz o preparatório para o Vestibular e em 1966 comecei meu curso de medicina. Há cada dia me enchia de satisfação, na Grande Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre, onde me graduei, conquistando assim o meu sonho”.
O início
Em uma época que a escassez de médicos era imensa, uma oportunidade surgiu, mesmo antes de formado, como relembra Dr. Roque, “No ano de 1971, mesmo antes da formatura, recebi especial convite de meu grande amigo, colega e irmão em ideal, Dr. Nicolau Fernandes Kruel, incansável no trabalho e na dedicação aos pacientes, certamente o objetivo maior de todo o nosso preparo médico, para trabalharmos juntos em Armazém e Rio Fortuna, onde ele estava há mais de ano, pois se formara antes de mim e na mesma Faculdade. Então começamos, ele continuando e eu começando, nossas atividades profissionais. O nosso entendimento estabeleceu-se em grande harmonia, respeito, crescimento profissional e intelectual, sentido principalmente por mim, pois trabalhava com um colega de notável experiência e capacidade, reconhecida desde os tempos acadêmicos, haja visto que hoje é mestre em Cirurgia e professor Universitário. No ensejo, lembranças de nossas atividades, principalmente em Armazém e Rio Fortuna, onde operávamos, quase diariamente, além de São Martinho, São Bonifácio, Santa Rosa de Lima, Anitápolis e Gravatal, com Clinica Geral e procedimentos ambulatoriais”.
Chegada em Armazém
Como diria José María Eça de Queirós, “Os sentimentos mais genuinamente humanos logo se desumanizam na cidade.” Porém não foi isso que aconteceu com o jovem médico que acabará de chegar em Armazém, como ele mesmo destaca, “Ao chegar em Armazém, comecei a conhecer grandes pessoas da comunidade, que aos
poucos foram tornando-se grandes amigos, indispensáveis pelo apoio, compreensão e principalmente pelo estímulo constante, visitando-nos quase diariamente no hospital, com grande disponibilidade, enfrentando juntos as dificuldades comuns da época. O hospital era administrado pelas irmãs franciscanas que eram muito competentes e alegres. Trabalhamos duro com toda a equipe de enfermagem, com a de cozinha , lavanderia e limpeza. Era época de transformação da Casa Paroquial com o Hospital Santo Antônio. Tínhamos um grande prazer e alegria em ver a evolução tão esperada dos trabalhos. A vontade de progresso era imensa, não somente nossa como de toda a comunidade. Comunidade que ajudava incansavelmente em todas as festas beneficentes. Tenho imensa saudade desde inicio profissional e dos amigos. Tudo era trabalho, alegria e satisfação, que tinha comemoração em nossos encontros frequentes”.
Lembranças dos amigos
O que será de nós se não tivermos amigos. Ninguém veio a este mundo para viver sozinho e por isso os amigos são o alicerce para uma vida de aprendizado, companheirismo e suporte para superarmos as dificuldades enfrentadas nesta Vida. Com o Dr. Roque não é diferente e apesar de não ver muitos amigos a bastante tempo, devido os compromissos para com a profissão, a lembrança permanecesse viva e forte até os dias de hoje, “na minha vida, sempre me mantive muito ocupado e sou grato a Deus por isso. Tenho a lembrança e aproveito este importante espaço para disser que muitos amigos foram importantes em minha vida. Cito grande parte desse amigos, já que todos não caberiam num livro, ainda mais com todas as suas histórias. A maioria – in memoriam – compõem as minhas gigantescas e saudáveis lembranças. Peço desculpas caso não citar alguém, mas destaco Apolònio Westrupp, Prefeito quando cheguei em Armazém; Paulo Wensing, que foi um pai para mim; Leopoldo Steiner, amigo alegre de todas as horas; Adilio Sebastião Corrêa, Presidente do Hospital e excelente amigo; Paulo Polidoro Arent, do Bar do K-Olho, sempre ao nosso lado; Henrique Michels, escriturário da prefeitura, de informações precisas; João Araújo, importantíssimo farmacêutico; José Diomário da Rosa, comerciante e sempre preocupado com Armazém; Antònio Davi Filetti, excelente ex-prefeito; Nelson das Neves, pecuarista, ex-prefeito e um grande amigo; Padre Urbano, vigário paroquial, estimadíssimo; Solon da Rosa, excelente contador do hospital e craque de Futebol. Amigos, com quem quero encontrar-me: Rosalvo Michels, ex-prefeito e inigualável marceneiro; Tadeu Wensing, ex-prefeito e companheiro constante, vencedor pela ¨própria natureza¨; Gabriel Bianchet, ex-prefeito, lutador e grande administrador do Hospital; Augustinho Machado, incansável e sincero Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. A todos vocês, agradeço pela importante e sincera amizade”.
Mudança para Rio Fortuna.
Doutor Roque nunca teve vida fácil e é um obstinado em salvar vidas. Juntamente com o grande e eterno amigo Dr. Nicolau, nunca pouparam esforços para fazer o melhor para os pacientes. Atendendo primeiramente em Armazém, viram a necessidade de abrangerem os atendimentos e para terem mais agilidade e conseguirem atenderem o máximo de pessoas da região, já que havia uma forte necessidade médica, Dr. Roque foi morar em Rio Fortuna, “A minha ida e fixação médica para Rio Fortuna aconteceram ou se confirmaram naturalmente devido a necessidade por atendimento médico. Na oportunidade Rio Fortuna era uma comunidade muito pequena, menor do que Armazém, onde havia sido construído um Hospital, tipo Unidade Leve, como um Hospital de Campanha, pré-fabricado, de montagem muito rápida. Quando cheguei estava tudo pronto. Havia aparelhagem adequada, com um pequeno Centro Cirúrgico e até um Raio-X de pequeno porte. Neste pequeno Hospital, realizamos grande número de procedimentos cirúrgicos, de pequeno , médio e grande porte. Tudo para mim era encanto, felicidade e satisfação na prática médica, meu sonho que sempre busquei. A população também sempre foi muito amigável e serei eternamente grato pela recepção ao qual minha pessoa recebeu”.
Lembranças de Rio Fortuna
A atuação de Dr. Roque foi pelo período de 35 anos, sendo diretor clínico do Hospital por mais de 30 anos e trabalhando de dia e de noite, nesta cidade. Foram muitos os apoiadores e amigos, como ele mesmo faz questão de destacar, “só tenho boas lembranças da querida cidade de Rio Fortuna. Tenho essa bela cidade no meu Coração, assim como Armazém e as cidades ao qual eu atuei. Sempre fui muito bem recebido. Quando cheguei em Rio Fortuna fui recebido pelo grande amigo, Luis Otávio Alberton, ele era o Presidente do Hospital e nos recebeu com grande alegria e sorriso, sua marca registrada. Funcionário público e comerciante com sua gentil esposa Terezinha( nossos irmãos); o Prefeito José Buss, que construiu pequeno apartamento para mim nas dependências do Hospital, muito solícito e discreto; Padre Afonso Schlickmann Röentheghers, jovial, de grande disponibilidade, queridíssimo vigário paroquial, que junto com a comunidade construiu uma casa para o médico, que mais tarde terminei comprando-a, providencial na hora de meu casamento em 1973. Foi quando trouxe minha querida esposa Dóris . Nela moramos, tivemos nossos filhos e tivemos o período mais saudoso de nossas vidas; Os prefeitos Aloísio Willemann e Fredolino Roecker, que se revezavam no comando do município e jamais esqueceram do Hospital, em eficaz administração; Isaú Vieira, ex-prefeio, incansável prestador de serviços para toda a comunidade; Simão Willemann e Irmã Blandina, diretores do Colégio Nossa Senhora de Fátima, onde minha esposa foi professora, muito atenciosos e competentes assim como toda a equipe de professores; Os Presidentes sucessivos do hospital com devotado trabalho; enfermagem e funcionários do Hospital, citando Dona Benedeta Otersbach Warmling e Laura Wiggers, em cujos nomes lembro-me de todos e todas; João Koepp, grande secretário e motorista, que viajava comigo; Inácio Schuelter, também secretário, em seqüência amigo de todas as horas, meu compadre, que nunca me deixou esquecer de pagar o INPS, minha aposentadoria liberal; Marcos Vandresen, filho da terra, intrépido lutador pela melhoria da saúde municipal, Presidente da A.C.A.R.E.S.C, viabilizou a construção de uma nova unidade hospitalar, concluída em 1977, quando em sua inauguração teve a brilhante participação comemorativa do Magnífico Coral do Padre Antoninho Herdt, da Matriz Santo Antönio dos Anjos, de Laguna; Dr. Miguel Castillos, excelente colega de trabalho, grande Cantor de canções paraguaias, cheias de melodias vibrantes; Dr. Alexandre Alberton, que desde o tempo acadêmico e de residência nos acompanhou e permaneceu na sua Terra Natal; Dr. José Juvenal Westrup, Bioquímico estimado e competente; Dra. Iva Michels, Bioquímica em seqüência, Farmacêutica e atenciosa.- Gostaria de nomear todos os meus amigos, pois cada um merece um momento especial, porém teria que escrever um livro. Contudo, nas pessoas ilustres de Inácio Ricken, Silvestre
Herdt, Padre João Beckhauser, João Batista Warmling, Frederico, Martinho e Padre Sérgio Hemckemeier, que possui uma espiritualidade impar; Maestro Roberto Tenfen. Fica meu forte abraço há cada um e cada uma de todas as pessoas queridas dessa Terra que me acolheu e tornou-me Cidadão Honorário”.
Outras paixões e vida nos dias de hoje
O trabalho enobrece o homem, porém todos nós temos outras paixões além do trabalho, Dr. Roque pela primeira vez revela as suas, “Tenho, por outras paixões, a Música Clássica e Gaúcha, a Poesia, a Tradição Gaúcha, a Vida do Campo, o gado, o meu Sítio e festas com muitos amigos, além de logicamente minha família”.
Morando na cidade de Rio Rufino, Serra Catarinense, Dr. Roque se viu forçado pela primeira vez em ter que ficar em casa, como ele mesmo explica, “Hoje, vivo, como sempre vivi, com minha querida esposa Dóris. Embora morando sozinhos, temos a constante lembrança de nossos filhos, independentes, temos a felicidade e alegria de estar vivendo. A COVID-19 é a grande surpresa de nossos tempos. Alterou todas as rotinas do Mundo. Enfrentando a Pandemia, dentro de um grupo de risco, parei meu trabalho médico, que pretendo retomá-lo, logo que for possível. Como dizia nosso Grande Mestre Dr. Ernesto Francisco Damerau, estou administrando a velhice”.
Agradecimento
Com sua sinceridade, força de vontade inigualável para superar os obstáculos, que foram muitos, Dr. Roque Batista Velho, faz seu agradecimento final, “meu agradecimento vai a direção do Jornal O Regional Sul, pelo o espaço e vai a Lissandro Gomes Velho, meu querido Filho, com grande habilidade e pendor jornalístico, morando na Cidade Amiga, onde comecei meu trabalho médico, permitindo-me, de um modo amplo, encontrar-me com todos os meus pacientes e amigos, dos tempos que bem longe se vão, deixando saudades e amor no Coração”.
Este que vos os escreve sente-se muito abençoado pela oportunidade de escrever um pouco da história deste grande Ser Humano, grande profissional e acima de tudo um exemplo de Pai. Gostaria de encerrar, escrevendo que aprendi desde novo, a dividir meu Pai com cada paciente que ele atendeu e garanto a todos vocês que ele os atendeu com muito amor e carinho. Nós filhos, somos eternamente grato de tê-los em nossa vida e pelos ensinamentos que carregamos conosco.
Está é apenas uma pequena lembrança ao qual o Jornal O Regional Sul vêm realizando com pessoas que marcaram história em nosso município e região. Devido a pandemia tivemos que dar um tempo, agora a partir dessa reportagem vamos continuar a seguir nosso trabalho de lembranças, daqueles que marcaram época, logicamente com aqueles que puderem nos receber.

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